Cataratas do Iguaçu 2017-07-07T04:23:28+00:00

UMA EXPERIÊNCIA PARA TODOS OS SENTIDOS

Ver, ouvir e sentir na pele a névoa das Cataratas do Iguaçu é uma experiência que não se compara com nenhuma descrição prévia, nem mesmo com as melhores imagens em fotografias ou filmes que as retratam. Para conhecer de verdade as Cataratas o visitante torna-se testemunha de sua poderosa presença. A primeira sensação é causada ainda à distância, por seu canto penetrante. O estrondo contínuo cresce à medida em que se caminha em direção às quedas, até tornar-se uma vibração que se percebe com o corpo todo. A energia é muito grande. Iguaçu, ou “Água Grande” na língua tupi-guarani, é um espetáculo em todo o seu conjunto. São centenas de quedas ao longo de quase três quilômetros, em área protegida por dois parques nacionais que unem Brasil e Argentina. O olhar não dá conta de tanta grandiosidade quando se está diante do mais espetacular dos saltos desse conjunto, a Garganta do Diabo, uma queda em forma de ferradura, que despenca pesada e ruge pelos ares para ressurgir no alto. Na forma de névoa fina e fresca, desenha arco-íris no céu e flutua na direção dos turistas na passarela, molhando-os por alguns minutos e impressionando sua memória para sempre.

Maravilha da natureza e patrimônio mundial

Os parques nacionais do Iguaçu, no Brasil, e Iguazú, na Argentina, são Patrimônio Natural da Humanidade. Unem-se para se integrar ao mais importante contínuo biológico dessa parte do continente sul-americano, com mais de um milhão de hectares de florestas protegidas ou ainda nativas emoldurando as Cataratas do Iguaçu. Eleita uma das Sete Maravilhas Naturais do Planeta, em eleição organizada pela fundação suíça New Seven Wonders. A escolha é fruto de um processo que durou cinco anos e teve a participação de 400 atrativos naturais de todo o mundo.

As Cataratas do Iguaçu realmente não têm igual. Algumas tentativas de comparação já mostraram isso claramente. Maiores e duas vezes mais largas do que as quedas do Niágara, na fronteira entre Canadá e Estados Unidos, as Cataratas do Iguaçu causaram forte impressão à então primeira dama norte-americana Eleanor Roosevelt, que depois de visitá-las resumiu sua comparação numa sentença breve e definitiva: “Poor Niagara!” (pobre Niágara!).

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é a distância entre a formação das Cataratas e o ponto onde o Rio Iguaçu desagua no Rio Paraná.
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é a largura do conjunto de saltos
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saltos formam-se nesse terreno, dependendo da vazão do Iguaçu
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é a altura dos saltos

Todos os caminhos levam às Cataratas

As Cataratas localizam-se dentro de dois parques nacionais bem estruturados, convidativos e inclusivos. Podem ser visitadas tanto por quem espera conforto e acessibilidade quanto por quem gosta de desafios. O visitante escolhe o grau de facilidade ou aventura de sua visita, já que as opções incluem desde passeios por passarelas e acesso por elevadores até trilhas de caminhadas e bicicleta, observação da flora e passeios de barco que chegam a passar sob a água de algumas quedas. E há a possibilidade de ver tudo isso de cima, num voo de helicóptero, ou de longe, num salto duplo de paraquedas.

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milhão de litros de água despencam das Cataratas a cada segundo. Essa vazão pode se reduzir a um terço em períodos de seca ou se multiplicar por quatro ou mais em épocas de cheias
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são os saltos principais. Três ficam no Brasil e os demais na Argentina — mas voltados ao observador que está no lado brasileiro
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é a altura do mais vistoso desses saltos, a Garganta do Diabo

Cenário único, nasceu junto com o continente

Mais de 2,5 milhões de turistas de todo o mundo visitam as Cataratas a cada ano. A admiração e surpresa que se tem diante dela remonta ao primeiro homem branco que a conheceu, o explorador espanhol Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, que a viu em 1542, quando viajava de canoa pelo Iguaçu, a caminho de Assunção, no Paraguai. “O rio dava um salto por um despenhadeiro altíssimo e a queda d’água tinha um baque tão forte que de longe se ouvia”, impressionou-se o viajante. Não foi para menos, já que estava diante de um magnífico conjunto de quedas jorrando um mundo de água num cenário incomparável. As Cataratas são resultado de um derrame de lava vulcânica basáltica ocorrido há 130 milhões de anos, durante o processo de gigantesco vulcanismo que provocou a separação continental da América do Sul e África e a formação do Oceano Atlântico Sul.

E a terra se rompe numa história de amor

A imagem de uma força que rompe terra adentro para fazer nascer as cachoeiras está presente numa antiga narrativa da tradição Caingangue. A lenda relata a formação das Cataratas como obra da fúria do deus N’Boi. Cego de ciúmes pelo amor entre os jovens Naipi e Tarobá, que, apaixonados, fogem numa canoa, N’Boi retorce tão violentamente seu corpo dentro da terra, que fratura as rochas criando o desnível e as quedas. As cachoeiras tragam o casal. A bela Naipi é transformada em uma rocha constantemente açoitada pela força das águas. Tarobá toma a forma de uma palmeira que se debruça sobre o precipício. Ainda assim o casal enamorado consegue se reencontrar até hoje, mas apenas quando a luz do sol e a névoa formam os arco-íris que ligam a palmeira às rochas.

Santos Dumont ajudou a preservar as Cataratas

A história recente de visitação às quedas conta com uma bela coleção de fotografias e relatos, organizados com recursos de multimídia, no Museu das Cataratas, na entrada do Centro de Visitantes. Vale a pena conhecê-lo. As ideias de preservação desse patrimônio natural surgiram no final do século 19, quando teve início o movimento de criação de parques nos Estados Unidos.

Depois de visitar as Cataratas em 1916, Santos Dumont defendeu entusiasmado a sua proteção e influenciou a desapropriação da área. Homenageado em uma estátua perto da Trilha das Cataratas, o inventor do avião é considerado um patrono da ideia que se realizaria duas décadas depois.

O Parque Nacional do Iguaçu seria finalmente criado em 1939, cinco anos depois de seu vizinho Par-que Nacional Iguazú. O parque argentino tem 67.620 hectares. O brasileiro, 185.262,2 hectares. Juntos abrigam uma riquíssima biodiversidade em torno desse monumento natural de água doce que é tão valioso a ponto de ser considerado patrimônio de cada habitante deste planeta.

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